A Felicidade que o Mundo Promete e Não Pode Dar

Existe uma fome no coração humano que nada neste mundo é capaz de saciar. Ainda assim, passamos a vida acreditando que ela será preenchida pela próxima conquista: um salário maior, a casa dos sonhos, uma viagem aguardada, uma promoção no trabalho, o reconhecimento das pessoas ou qualquer outro bem que desejamos. Convencemo-nos de que, quando finalmente alcançarmos essas metas, encontraremos o descanso que tanto procuramos. No entanto, a própria experiência nos mostra outra realidade. Quantas vezes conquistamos exatamente aquilo que desejávamos e, pouco tempo depois, a alegria deu lugar ao mesmo vazio de antes? Esse vazio não é um acaso. Ele revela uma verdade profunda: fomos criados para um Bem infinitamente maior do que tudo o que este mundo pode oferecer.

Santo Afonso, ao meditar sobre o milagre da multiplicação dos pães, recorda uma verdade que atravessa os séculos: “Não há nenhum manjar neste mundo que possa saciar nossas almas.” Os bens da terra, as riquezas, as honras e os prazeres podem deleitar os sentidos do corpo; para o espírito, porém, são apenas “vaidade e aflição”. Se as riquezas fossem suficientes para tornar o homem feliz, os ricos e poderosos seriam os mais felizes da terra. A própria experiência, entretanto, demonstra o contrário. Quantos vivem consumidos pelo medo de perder o que possuem, pela ansiedade de conquistar sempre mais, pela inveja, pela tristeza e por uma cobiça que jamais se sacia.

Ao narrar que quatro mil homens permaneceram três dias com Cristo antes de serem alimentados, o Evangelho revela algo muito maior do que um milagre material. Aquela multidão buscava primeiro Jesus; e, vendo sua perseverança, o Senhor se compadeceu dela. Todos comeram e ficaram saciados, mas Santo Afonso reconhece nesse acontecimento um ensinamento ainda mais profundo: o pão que alimenta o corpo é apenas um sinal de um alimento maior, pois Deus criou o coração do homem para Si, e somente Ele pode preenchê-lo plenamente.

Essa fome da alma continua evidente em nossos dias. Basta observar quantas pessoas alcançam sucesso profissional, estabilidade financeira e reconhecimento social, mas permanecem profundamente inquietas. Outras dedicam-se inteiramente ao trabalho, acreditando que, quando conquistarem determinada posição, enfim poderão viver em paz. No caminho, porém, deixam de cultivar a amizade com Deus, negligenciam a família, perdem momentos preciosos com os filhos e adiam indefinidamente a própria vida espiritual. Quando finalmente chegam ao lugar que tanto desejaram, descobrem que o vazio permanece o mesmo.

É justamente aqui que se cumprem as palavras da Sagrada Escritura, recordadas por Santo Afonso. Quem troca Deus pelo mundo acaba experimentando aquilo que o Espírito Santo anuncia:

“Eis, diz o Espírito Santo, o justo castigo daqueles que, em vez de servirem a Deus com alegria, por causa da abundância de todos os bens que n’Ele se encontram, querem servir ao inimigo de Deus, isto é, ao mundo, que os faz sofrer fome, sede, nudez e miséria.” (Dt 28,48)

Essa fome, essa sede, essa nudez e essa miséria referem-se, antes de tudo, à pobreza da alma que busca nas criaturas aquilo que somente o Criador pode oferecer. O mundo promete felicidade, mas não pode dar aquilo que não possui. Quanto mais o homem deposita sua esperança nos bens passageiros, mais experimenta o vazio, a inquietação e a insatisfação. Somente Deus é capaz de saciar plenamente o coração humano.

Não porque o trabalho, o dinheiro ou as conquistas sejam maus. Eles são dons de Deus quando ocupam o lugar que lhes corresponde. O problema surge quando esperamos deles aquilo que somente Deus pode oferecer. Nenhuma criatura pode preencher um coração criado para o Criador. Quando os bens deste mundo ocupam o lugar de Deus, deixam de ser um auxílio e tornam-se um obstáculo à verdadeira felicidade.

Por isso, Santo Agostinho, depois de procurar a felicidade em tantos lugares, pôde exclamar:

“Ó mundanos insensatos! Ó homens desgraçados! Aonde ides para achar a felicidade? Vinde a Jesus; só Ele vos pode dar a felicidade que estais buscando.”

A experiência de Santo Agostinho continua sendo a experiência de todo coração que busca a felicidade longe de Deus. O grande drama do homem moderno não é a falta de bens, mas o esquecimento de Deus. Procuramos descanso em tudo, menos n’Aquele que é o próprio descanso. Corremos atrás do que passa e deixamos de buscar o Único que permanece.

No fim, resta uma verdade que deveria orientar toda a nossa vida: quem possui todos os bens deste mundo, mas não possui a Deus, é verdadeiramente pobre; mas quem possui a Deus, ainda que nada tenha, possui tudo.

Para pensar e questionar

  • Em que tenho colocado a minha esperança e a minha felicidade?
  • O que mais ocupa os meus pensamentos: Deus ou as preocupações deste mundo?
  • Tenho buscado os bens terrenos como meios para servir a Deus ou como o fim da minha vida?
  • Se hoje eu perdesse tudo o que possuo, Deus ainda me bastaria?

Enquanto o coração buscar nas criaturas aquilo que só pode encontrar no Criador, permanecerá inquieto. A verdadeira paz não nasce da abundância dos bens, mas da posse de Deus. Somente n’Ele a alma encontra o repouso para o qual foi criada. Como ensinou Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Vós, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Vós.”